12 - Um Pub Medieval

Dimensão... era algo inexistente. A matemática havia fugido dali há algum tempo, a lógica fora junto. Sei que não faço sentido algum nessas linhas, mas a verdade não tem nada a ver com fazer sentido. A cidade era muito, muito maior por dentro. E havia muita, mas muita gente ali, assombrando-a da pior forma possível. Isso era aterrador. E o choque disso era ver-me indefeso nessa situação, um velho em roupas de hospital, incapaz de cuidar de si. Patético e digno de pena.
Então tratei de me esconder. Primeiro em um pequeno estábulo (ideia infeliz: Havia um louco procurando um pouco de amor com um pobre animal, que me afugentou, assim que tive uma visão de seu intento), em seguida em uma porta falsa, no fundo de um pátio em que acabei por mero acaso.
E o acaso me levou a outra dimensão, como se eu tivesse um encontro marcado com a pessoa que viria a encontrar ali.
Antes porém que eu revele a identidade de tão ilustre personagem, devo esclarecer um pouco sobre o lugar onde fui parar.
Um bar. Um pub irlandês, creio que julguei ser uma cópia aproximada de um pub famoso de minha juventude. O chão, no entanto, de terra, e as paredes de barro, buscando aquela medievalidade latente. Não obstante, não foi isso que me chamou a atenção e sim o fato de ser o local com maior quantidade de pessoas agindo o mais natural e dentro do contexto em toda a vasta imensidão daquela cidade fantasma. Bebiam, riam, se divertiam – até mesmo brigavam...  Havia música, bebidas das mais variadas, as pessoas eram jovens em sua maioria, e tinham um vasto e confuso vestuário, que alternava entre época e país como se fossem números de latitude e longitude em um imenso mapa.
 O clima era perfeito, e fascinante. Pude perceber que o local era igualmente imenso e labiríntico como toda a cidade. O qual fui percorrendo, ora ouvindo uma conversa aqui, ora puxando papo ali, me enturmando e conhecendo pessoas, bebendo e cantando junto à elas. Foi decepcionante, dentre toda aquela gente, perceber que não havia alguém conhecido, mas esse sentimento não constrangeu meu entusiasmo enquanto eu seguia explorando o lugar, determinado em minha convicção de que em algum momento encontraria alguém, saudoso da minha companhia e da minha história de vida.
E então eu o encontrei, ali, na mesa do bar.
Poucos metros entre nós.
E qual não foi minha surpresa ao perceber que ele mantinha a mesma feição, as mesmas expressões da última vez em que o tinha visto, há muitos anos.

Comparado a ele, eu era apenas um velho qualquer. Mas ali estava, vinte e poucos anos mais novo que eu, aquele que me ensinara os primeiros movimentos no xadrez, que me ensinara a me portar e me vestir para ir às festas na adolescência, que me apoiou quando, uma vez longe de tudo e todos que eu conhecia, permaneceu ao meu lado... Meu irmão.

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