13 - O Contador de Histórias
Não me reconheceu. Fiquei um longo período sentando cerca a ele, observando-o apenas, enquanto bebia e ria e contava as mesmas piadas sem graça que sempre contara desde que me conheço por gente. Sua juventude me confundia, me incomodava. A ponto de eu não estar tão certo de que tudo o que me sucedia atualmente não passasse de um sonho de extremo mal gosto. Segui observando-o. Tentando entendê-lo quiçá. Analisando como se portava, e como eu poderia racionalizar com ele. Tinha medo, um pequeno receio na verdade, de que laços de família nada significassem depois de tanto tempo. Contava agora uma história estranha, e havia juntado uma certa aglomeração ao redor de si para ouvi-la. Era o conto de um idiota, dizia. — Estávamos ali, ela e eu, um revolver pra cada, apontando contra o peito do outro. Tínhamos lágrimas nos olhos, e juras de amor nos lábios, e ainda assim estavamos em lados opostos. E decidimos dar um fim naquilo, então eu, com a mão trêmula tentei puxar o gatilho, mas nem ...