08 - A Alternativa Que Me Sobrara
Eu a tinha bem em frente a mim (na verdade era o contrário).
Ameaçadora, investiu várias vezes em minha direção, abocanhando minha vontade, de forma a não me dar espaço de reação, em contraponto de não me ferir de morte. Ficou brincando comigo, assim, ao seu bel prazer.
E, nesse período, escravizou meus sonhos de forma tão hipnótica, que julguei nunca tê-los tido.
Sem que eu houvesse percebido, me havia levado de volta à beira do precipício que me resgatara.
Não seria surpresa alguma, suspeitar aonde esse caminho me levava.
A loba, uma vez cansada de sua própria astucia, foi quem decidiu pôr fim ao meu suplício. Bateu com os pés gigantes no pouco de terra que me amparava, causando um pequeno terremoto onde estava, seguido de um deslize de terra.
Finalmente me vi caindo pela terceira vez no abismo, em um ponto ainda mais profundo do que na vez anterior, sem a menor chance de fuga por onde antes havia subido.
Magoado, amedrontado, traído, solitário e envolto em névoa e escuridão pela terceira vez.
Que classe de esperança advém de sentimentos e situações assim? Que atitude um homem reto tem nessas horas?
A verdade é que, todo o caminho até aqui não havia sido nada mais do que uma imensa luta por superação, por sobrevivência — E eu estava cansado. Completamente cansado.
Engolido pelas trevas e pelo fracasso, me sento no chão. Dali não me movo. Deixo que as trevas cresçam ao meu redor como a loba em outro momento. Deixo que a nevoa libere seus monstros, deixo que o medo fale comigo da escuridão. Mas não me movo jamais.
Escuto alguém chamar meu nome uma… duas… Incontáveis vezes. E me mantenho firme na alternativa que me sobrara.
Até que, de tanto conviver com as trevas e a penumbra ao meu redor, percebo que na escuridão também há um caminho…
Só então me levanto, e vou seguindo por onde a trilha me leva.
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