02 - Um Chalé Iluminado




Confiante, segui caminhando nessa direção. A estrada de barro e lama transmutou-se em um vasto gramado. Decks de madeira sugeriam alguma área de laser aqui e acolá. A luz da aurora passava a ser sentida em todo o vasto ambiente. Árvores antigas, prementes de sabedoria, davam vivas à minha passagem, em suas mais variadas espécies (carvalhos, macieiras, eucaliptos; outras que eu sequer sabia da existência). Lançavam ao ar da noite seu perfume, expulsando com violência a poluição que até o momento ocupava meus pulmões. A desolação, o miserê e o estresse de outrora, culminaram em uma organizada calma, harmônica em todos os sentidos (onde eu podia ouvir até meus próprios pensamentos). O júbilo de tal descobrimento, resultava em mil e cem motivações em minha alma, e o próprio jardim enunciava sinais de minha chegada ao recanto do sol, minha casa.
Ainda era noite, a aurora florescia num horizonte estatizado. Meu coração de velho era invadido por novos sonhos e o sorriso finalmente voltou aos meus lábios. Toda essa situação satisfatória me impelia adiante. Não tardei a chegar a um lago grande, negro, aconchegante como conselhos de mãe, onde os primeiros sinais de vida, na forma de dois cisnes brancos, me deram boas-vindas.
A distância então avistei um pequeno chalé. A chaminé ativa de uma fumaça branca indica que o lugar era habitado.
O conforto de poder conversar com viva alma novamente me enche a cabeça de ilusões. Algum conhecido, talvez — talvez alguém que eu jamais sonhasse em encontrar outra vez, não fosse a minha condição atual.
No entanto, de um galho de carvalho realmente antigo perto de mim, vem o grasnar de um corvo negro. E o mau agouro que esse som trouxe, desestabilizou toda a base de otimismo que vinha sido construída recentemente em mim.





Foi quando eu comecei a ver todas esses bons sentimentos escorrerem por entre minhas mãos.

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